A Agência Nacional de Vigilância Sanitária decidiu manter a suspensão parcial de produtos da Ypê com base em um conjunto de falhas que classificou como “graves” e “sistêmicas” na fábrica da empresa em Amparo (SP). A decisão vale para detergentes, sabões líquidos e desinfetantes com lotes terminados em “1”.
Os principais argumentos apresentados pela Anvisa foram:
falhas nos sistemas de garantia da qualidade;
problemas no controle de qualidade e na produção;
ausência de validação adequada de processos e métodos analíticos;
monitoramento microbiológico considerado insuficiente;
fragilidade na rastreabilidade dos produtos;
dificuldade de segregação de produtos não conformes;
falhas na implementação de ações corretivas.
Segundo a agência, as irregularidades não eram casos isolados, mas indicavam um “comprometimento sistêmico” das linhas de produção. A Anvisa afirmou que havia risco sanitário relacionado à possibilidade de contaminação microbiológica dos produtos.
Outro ponto usado pela agência foi o fato de a própria empresa ter reconhecido problemas internos. Durante as reuniões técnicas, a Ypê informou que estava implementando centenas de ações corretivas e admitiu a necessidade de ajustes em processos e controles.
A Anvisa também destacou que a decisão foi baseada em inspeções feitas em conjunto com órgãos de vigilância sanitária de São Paulo e do município de Amparo, nas quais foram encontradas 76 irregularidades.
Apesar de manter a suspensão da fabricação, venda, distribuição e uso, a agência decidiu suspender temporariamente o recolhimento imediato dos produtos já distribuídos. O objetivo é permitir que a empresa apresente um plano estruturado de mitigação de riscos e rastreabilidade antes de um eventual recall amplo.
A orientação oficial da Anvisa continua sendo que consumidores não utilizem os produtos afetados até nova avaliação técnica.

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