O hantavírus voltou ao noticiário por causa do surto registrado no navio de cruzeiro MV Hondius, que deixou mortos e casos graves ligados ao chamado vírus Andes. Mas especialistas e autoridades de saúde reforçam que a situação internacional não indica um surto disseminado no Brasil.
No Brasil, a doença existe há décadas e continua rara — porém muito letal. Desde 1993, o país registrou 2.412 casos e 926 mortes, uma taxa de letalidade próxima de 40%.
As áreas de maior risco estão principalmente em regiões rurais do Centro-Oeste, Sul e Sudeste, especialmente:
Mato Grosso
Minas Gerais
Paraná
Santa Catarina
São Paulo
Goiás
O motivo é ecológico: o hantavírus circula em roedores silvestres, sobretudo em áreas agrícolas, matas e ambientes onde há contato com fezes, urina e saliva desses animais. Pessoas podem se infectar ao inalar partículas contaminadas suspensas no ar, por exemplo ao limpar galpões, paióis, celeiros ou depósitos fechados.
O caso mais recente confirmado no país foi em Minas Gerais: um homem de 46 anos morreu após contato com roedores silvestres em uma lavoura na cidade de Carmo do Paranaíba. A Secretaria Estadual de Saúde classificou o episódio como isolado.
Por que o surto do cruzeiro não muda o cenário brasileiro?
O ponto principal é que o evento no navio envolve provavelmente o vírus Andes, uma variante sul-americana rara que pode ter transmissão limitada entre humanos — algo incomum entre hantavírus. A OMS considera o risco global baixo e entende que o episódio ficou concentrado entre passageiros e contatos próximos.
Já no Brasil, os casos históricos estão ligados quase sempre à exposição ambiental a roedores, não a transmissão sustentada entre pessoas. Por isso, autoridades brasileiras dizem que não há evidência de uma nova pandemia nem conexão epidemiológica entre os casos nacionais e o cruzeiro.
Os sintomas iniciais costumam incluir:
febre
dor muscular
dor de cabeça
mal-estar
falta de ar progressiva
A evolução pode ser rápida para insuficiência respiratória grave, o que explica a alta mortalidade.

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